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Gestão de Cooperativas: quando administrar é uma responsabilidade de todos

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Administrar uma organização nunca é uma tarefa simples. É preciso tomar decisões, planejar o futuro, acompanhar resultados, organizar processos e, principalmente, envolver as pessoas na construção de um propósito comum.

A maior diferença entre uma empresa tradicional e uma cooperativa é o objetivo e o poder de decisão, nas empresas tradicionais o objetivo é visar lucro e essa responsabilidade costuma estar concentrada nas lideranças, tendo uma
hierarquia organizacional.

Nas cooperativas, isso acontece de forma diferente, o objetivo é prestar serviços e gerar benefícios aos próprios cooperados e a gestão é realizada pelos mesmos, que compartilham decisões, responsabilidades e resultados. Esse modelo é chamado de autogestão, um dos princípios da governança cooperativa e fortalecem a identidade cooperativista, fazendo das cooperativas organizações democráticas.

Mas afinal, o que é autogestão?

Segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras (2022), a autogestão é o processo pelo qual os próprios cooperados, de forma democrática e compartilhada, assumem a responsabilidade pela cooperativa. Isto é, não existe liderança que decide sozinha, temos cooperados que possuem direito à voz, ao voto e à participação nas decisões da cooperativa.

Mais do que participar das assembleias, a autogestão significa que cada cooperado precisa assumir o papel de protagonista dentro da cooperativa, o seu papel de “dono”, isso significa que todos precisam contribuir com ideias, acompanhar os resultados e compartilhar a responsabilidade pelo sucesso ou consequência do empreendimento. Em uma cooperativa, todos são, ao mesmo tempo, donos e responsáveis pelo negócio, não há espaço para donos individuais, mas sim para uma gestão compartilhada.

A propriedade da cooperativa é – e sempre será – dos cooperados, ou seja, são os cooperados que têm a cooperativa, e não as cooperativas que têm cooperados. (OLIVEIRA, 2011, p. 35)

Como a autogestão acontece na prática?

A autogestão não acontece apenas para os cooperados que possuem cargos dentro da cooperativa. Ela está presente no dia a dia de todos os cooperados, sendo nas decisões, na construção dos processos, das estratégias, nas votações, nas organizações das atividades, na transparência e compartilhamento de informações, na forma de agir e pensar como um cooperativista.

O empreendimento coletivo tenderá a ser maior que as atividades individuais de cada cooperado e com desafios de gestão e articulação bastante diferentes do que provavelmente estão habituados. (CARDOSO, 2014, p. 49)

E para que isso funcione, alguns pontos são fundamentais:
• participação ativa dos cooperados;
• transparência na gestão e nas informações;
• comunicação constante;
• responsabilidade compartilhada;
• formação e educação cooperativista;
• compromisso com as decisões tomadas coletivamente.

Quanto maior o envolvimento dos cooperados, mais forte se torna a governança da cooperativa. Quando cada pessoa participa das decisões e assume sua responsabilidade, toda a cooperativa se fortalece. No cooperativismo, o sucesso de um representa o avanço de todos, pois cooperar significa colocar o interesse coletivo acima dos interesses individuais e construir,
juntos, resultados que beneficiem a todos.

E como benefício, a autogestão tende a representar melhor os interesses do coletivo, aumentar o sentimento de pertencimento e fortalecer a confiança entre os cooperados. Cada membro deixa de ser apenas participante para tornar-se corresponsável pelo futuro da cooperativa, contribuindo para uma gestão mais transparente, democrática e alinhada aos princípios do cooperativismo. Os resultados deixam de ser apenas financeiros, eles também aparecem na qualidade das relações, no desenvolvimento das pessoas e na sustentabilidade do negócio.

Os desafios também fazem parte, a autogestão não significa ausência de organização ou de gestão da cooperativa. Pelo contrário, ela exige planejamento, clareza de papéis, processos bem definidos e uma governança sólida. Participar de forma democrática também requer cuidado e reparo quando necessário. É por isso que a educação cooperativista ocupa um papel essencial, formando cooperados capazes de tomar decisões conscientes e alinhadas ao propósito da cooperativa.

E na Greta Coop, como acontece?

Hoje, na Greta Cooperativa, contamos com 14 cooperados(as), 14 vozes, 14 votos, 14 protagonistas. Somos uma cooperativa que adota o modelo de gestão autogestionária, no qual a administração da cooperativa é exercida pelos próprios cooperados. A autogestão é muito mais do que um conceito.

Ela representa na prática uma forma diferente de administrar, baseada na confiança, na participação e na corresponsabilidade de todos. Cada cooperado participa da construção da cooperativa, assumindo responsabilidades e contribuindo para que as decisões representem o que acreditamos.Ainda estamos aprendendo? Sim, será um aprendizado constante, afinal em uma cooperativa, gerir não é responsabilidade de uma única pessoa. É justamente por isso que acreditamos que os melhores resultados são construídos coletivamente.

Encerro com um trecho do nosso manifesto, que traduz aquilo que buscamos diariamente:
Somos um movimento.
Um movimento de pessoas que acreditam que a educação pode ser diferente.
Que a gestão pode ser mais humana.
Que o trabalho pode ser mais digno.
Que o sucesso pode ser compartilhado.

Referências:

OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. Manual de gestão das cooperativas: uma abordagem prática. São Paulo: Atlas, 2011. CARDOSO, Univaldo Coelho. Cooperativa. Brasília: Sebrae, 2014.

ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS (OCB). Manual de Boas Práticas de Governança Cooperativa. Brasília, DF: Sistema OCB, 2022.

– Escrito por Tainá Oliveira