
Autor: William Pollnow
Existem experiências formativas que acontecem no campo da sensibilidade, da escuta e das relações. Experiências que convidam professores(as) e gestores(as) escolares e educacionais a desacelerar, olhar para suas trajetórias e perceber os territórios que atravessam suas histórias.
A Cartografia dos Afetos nasce desse convite: mapear não apenas lugares, mas memórias, encontros e sentidos. Trata-se de compreender a educação como uma experiência viva, construída no encontro com o outro e com o território.
É a partir dessa compreensão que a Greta COOP desenvolve experiências formativas que colocam as pessoas no centro, reconhecendo o território como espaço vivo e a educação como prática sensível e coletiva.
O território como experiência vivida.
Para pensar essa proposta, dialogamos com o geógrafo Milton Santos, que compreende o território como espaço vivido, carregado de relações e significados.
Como lembra o autor:
“O território é o fundamento do trabalho, o lugar de residência, das trocas materiais e espirituais e do exercício da vida.”
(SANTOS, 1999, p. 8)
Cada comunidade, cada escola e cada sala de aula são territórios vivos. Professores(as) e estudantes constroem e são construídos por esses espaços todos os dias.
Pensar a educação a partir do território é reconhecer que aprender também envolve relações, histórias e pertencimento.
Mapear o mundo e a si mesmo.
A cartografia sempre foi uma forma de orientação no mundo. A trajetória da matemática Gladys West, que contribuiu para o desenvolvimento dos sistemas de posicionamento global, revela essa potência.
Se a cartografia nos permite conhecer nossa localização exata no planeta, talvez também seja necessário olhar para dentro e reconhecer os mapas que carregamos em nossa própria trajetória. Porque, além de saber onde estamos no mundo, também é preciso compreender quais territórios nos habitam.
Cartografar os afetos.
Com a filósofa Suely Rolnik, a cartografia ganha outra dimensão: a dos afetos. A autora propõe uma cartografia que acompanha processos, intensidades e forças que atravessam os sujeitos.
Como afirma:
“A intenção do cartógrafo é se envolver com a constituição da realidade, mergulhar na geografia dos afetos.”
(ROLNIK, 2016, p. 66)
A Cartografia dos Afetos acompanha movimentos, encontros e experiências que marcam professores(as) e estudantes ao longo de suas histórias. Cada trajetória é um mapa em transformação.
Educação que nasce do encontro.
Na Greta COOP, acreditamos em uma educação que nasce do encontro entre pessoas, territórios e histórias. Nossas propostas partem do princípio de que a aprendizagem acontece quando há vínculo, sentido, participação e intencionalidade.
A Cartografia dos Afetos dialoga com valores que orientam nossa atuação:
- diversidade e cuidado com as pessoas
- acolhimento e escuta sensível
- Cooperação e construção conjunta.
- Educação que inspira.
- reconhecimento dos saberes presentes em cada território
Mais do que aplicar técnicas, buscamos criar experiências que provoquem deslocamentos e fortaleçam o protagonismo das escolas.
Mapas em movimento.
A Cartografia dos Afetos é um convite a repensar a educação como território sensível. Não se trata de oferecer mapas prontos, mas de criar condições para que professores(as) e estudantes desenhem seus próprios caminhos.
Porque educar é, antes de tudo, um processo de construção de sentidos, encontros e afetos que seguem em movimento na relação entre professores(as) e estudantes.
Referências
SANTOS, Milton. O dinheiro e o território. Geografia: Revista da Pós-Graduação em Geografia, v. 1, n. 1, p. 7–13, 1999.
ROLNIK, Suely. Cartografia sentimental: transformações contemporâneas do desejo. 2. ed. Porto Alegre: Sulina; Editora da UFRGS, 2016.
BBC NEWS. Gladys West: the “hidden figure” behind GPS technology. BBC, 2018.
Disponível em: https://www.bbc.com/news/world-us-canada-43359396
